24 4 / 2014

Sem horas e sem dores,
 Respeitável público pagão,
 Bem-vindos ao teatro magico.

A partir de sempre
 Toda cura pertence a nós.
 Toda resposta e dúvida.
 Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser,
 Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
 Nenhum predicado será prejudicado,
 Nem tampouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final!
 Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas,
 E estar entre vírgulas pode ser aposto,
 E eu aposto o oposto: que vou cativar a todos
 Sendo apenas um sujeito simples.
 Um sujeito e sua oração,
 Sua pressa, e sua verdade, sua fé,
 Que a regência da paz sirva a todos nós.
 Cegos ou não,
 Que enxerguemos o fato
 De termos acessórios para nossa oração.
 Separados ou adjuntos, nominais ou não,
 Façamos parte do contexto da crônica
 E de todas as capas de edição especial.
 Sejamos também o anúncio da contra-capa,
 Pois ser a capa e ser contra a capa
 É a beleza da contradição.
 É negar a si mesmo.
 E negar a si mesmo é muitas vezes
 Encontrar-se com Deus.
 Com o teu Deus.

Sem horas e sem dores,
 Que nesse momento que cada um se encontra aqui e agora,
 Um possa se encontrar no outro,
 E o outro no um…
 Até por que, tem horas que a gente se pergunta:
 Por que é que não se junta
 Tudo numa coisa só?



(Sintaxe À Vontade 
O Teatro Mágico)

Sem horas e sem dores,
Respeitável público pagão,
Bem-vindos ao teatro magico.

A partir de sempre
Toda cura pertence a nós.
Toda resposta e dúvida.
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser,
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado,
Nem tampouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas,
E estar entre vírgulas pode ser aposto,
E eu aposto o oposto: que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples.
Um sujeito e sua oração,
Sua pressa, e sua verdade, sua fé,
Que a regência da paz sirva a todos nós.
Cegos ou não,
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração.
Separados ou adjuntos, nominais ou não,
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial.
Sejamos também o anúncio da contra-capa,
Pois ser a capa e ser contra a capa
É a beleza da contradição.
É negar a si mesmo.
E negar a si mesmo é muitas vezes
Encontrar-se com Deus.
Com o teu Deus.

Sem horas e sem dores,
Que nesse momento que cada um se encontra aqui e agora,
Um possa se encontrar no outro,
E o outro no um…
Até por que, tem horas que a gente se pergunta:
Por que é que não se junta
Tudo numa coisa só?

(Sintaxe À Vontade
O Teatro Mágico)

24 4 / 2014

E o incrïvel Ariano Suassuna surpreendeu a todos hoje, ao ficar deitado no chao do aeroporto de Brasilia , esperando o aviao para Recife. As cadeiras dos aeroportos sendo, de uma maneira geral, muito desconfortäveis, Ariano preferiu se deitar no chäo enquanto esperava o embarque ; e parece que é um comportamento usual do mestre em aeroportos… um Homem livre !!!! \Ö/

23 de abril de 2014

E o incrïvel Ariano Suassuna surpreendeu a todos hoje, ao ficar deitado no chao do aeroporto de Brasilia , esperando o aviao para Recife. As cadeiras dos aeroportos sendo, de uma maneira geral, muito desconfortäveis, Ariano preferiu se deitar no chäo enquanto esperava o embarque ; e parece que é um comportamento usual do mestre em aeroportos… um Homem livre !!!! \Ö/

23 de abril de 2014

24 4 / 2014

Uma coisa é pôr idéias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas, de carne e sangue, de mil-e-tantas misérias… Tanta gente - dá susto de saber - e nenhum se sossega: todos nascendo, crescendo, se casando, querendo colocação de emprego, comida, saúde, riqueza, ser importante, querendo chuva e negócios bons… De sorte que carece de se escolher: ou a gente se tece de viver no safado comum, ou cuida de só religião só. Eu podia ser: padre sacerdote, se não chefe de jagunços; para outras coisas não fui parido (2001, p. 31).



ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas

Uma coisa é pôr idéias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas, de carne e sangue, de mil-e-tantas misérias… Tanta gente - dá susto de saber - e nenhum se sossega: todos nascendo, crescendo, se casando, querendo colocação de emprego, comida, saúde, riqueza, ser importante, querendo chuva e negócios bons… De sorte que carece de se escolher: ou a gente se tece de viver no safado comum, ou cuida de só religião só. Eu podia ser: padre sacerdote, se não chefe de jagunços; para outras coisas não fui parido (2001, p. 31).

ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas

24 4 / 2014

Compadre meu Quelémem sempre diz que eu posso aquietar meu temer de consciência, que sendo bem-assistido, terríveis bons espíritos me protegem. Ipe! Com gosto… Como é de são efeito, ajudo com meu querer acreditar. Mas nem sempre posso. O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, forro, sou nascido diferente. Eu sou eu mesmo. Divêrjo de todo mundo… Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre - o senhor solte em minha frente uma idéia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos, amém! (2001, p. 31).



ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas

Compadre meu Quelémem sempre diz que eu posso aquietar meu temer de consciência, que sendo bem-assistido, terríveis bons espíritos me protegem. Ipe! Com gosto… Como é de são efeito, ajudo com meu querer acreditar. Mas nem sempre posso. O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, forro, sou nascido diferente. Eu sou eu mesmo. Divêrjo de todo mundo… Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre - o senhor solte em minha frente uma idéia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos, amém! (2001, p. 31).

ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas

24 4 / 2014

(…) Melhor, se arrepare: pois num chão, e com igual formato de ramos e folhas, não dá mandioca mansa, que se come comum, e a mandioca-brava, que mata? Agora, o senhor já viu uma estranhez? A mandioca doce pode de repente virar azangada - motivos não sei; às vezes se diz que é por replantada no terreno sempre, com mudas seguidas, de manaíbas - vai em amargando, de tanto em tanto, de si mesma toma peçonhas. E, ora veja: a outra, a mandioca-brava, também é que às vezes pode ficar mansa, a esmo, de se comer sem nenhum mal. (…) Arre, ele (o demo) está misturado em tudo 
(2001, p. 27).


Que o que gasta, vai gastando o diabo de dentro da gente, aos pouquinhos, é o razoável sofrer. E a alegria de amor - compadre meu Quelemém diz. Família. Deveras? É, e não é. O senhor ache e não ache. Tudo é e não é… Quase todo mais grave criminoso feroz, sempre é muito bom marido, bom filho, bom pai, e é bom amigo-de-seus-amigos! Sei desses. Só que tem os depois - e Deus, junto. Vi muitas nuvens (2001, p. 27). 


O senhor não duvide - tem gente, nesse aborrecido mundo, que matam só para ver alguém fazer careta… (2001, p. 28). 


ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas

(…) Melhor, se arrepare: pois num chão, e com igual formato de ramos e folhas, não dá mandioca mansa, que se come comum, e a mandioca-brava, que mata? Agora, o senhor já viu uma estranhez? A mandioca doce pode de repente virar azangada - motivos não sei; às vezes se diz que é por replantada no terreno sempre, com mudas seguidas, de manaíbas - vai em amargando, de tanto em tanto, de si mesma toma peçonhas. E, ora veja: a outra, a mandioca-brava, também é que às vezes pode ficar mansa, a esmo, de se comer sem nenhum mal. (…) Arre, ele (o demo) está misturado em tudo
(2001, p. 27).


Que o que gasta, vai gastando o diabo de dentro da gente, aos pouquinhos, é o razoável sofrer. E a alegria de amor - compadre meu Quelemém diz. Família. Deveras? É, e não é. O senhor ache e não ache. Tudo é e não é… Quase todo mais grave criminoso feroz, sempre é muito bom marido, bom filho, bom pai, e é bom amigo-de-seus-amigos! Sei desses. Só que tem os depois - e Deus, junto. Vi muitas nuvens (2001, p. 27).


O senhor não duvide - tem gente, nesse aborrecido mundo, que matam só para ver alguém fazer careta… (2001, p. 28).


ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas

22 4 / 2014

あなたがいなくて寂しいです I miss you

あなたがいなくて寂しいです I miss you

22 4 / 2014

Dentro ou fora de mim, todos os dias acontece algo que me surpreende, algo que me comove, desde a possibilidade do impossível a todos os sonhos e ilusões. É essa a matéria da minha escrita, por isso escrevo e por isso me sinto tão bem a escrever aquilo que sinto.


José Saramago

Dentro ou fora de mim, todos os dias acontece algo que me surpreende, algo que me comove, desde a possibilidade do impossível a todos os sonhos e ilusões. É essa a matéria da minha escrita, por isso escrevo e por isso me sinto tão bem a escrever aquilo que sinto.



José Saramago

22 4 / 2014

Minha tática é
 olhar-te
 aprender como és
 querer-te como és
minha tática é
 falar-te
 e escutar-te
 construir com palavras
 uma ponte indestrutível
minha tática é
 ficar em tua memória
 não sei como nem sei
 com que pretexto
 porém ficar em ti
minha tática é
 ser franco
 e saber que tu és franca
 e que não nos vendamos
 simulacros
 para que entre os dois
 não existam véus
 nem abismos
minha estratégia é
 no entanto
 mais profunda e mais
 simples
 minha estratégia é
 que um dia qualquer
 não sei como nem sei
 com que pretexto
 por fim me necessites.


Mario Benedetti em: “O Amor, as mulheres e a vida”

Minha tática é
olhar-te
aprender como és
querer-te como és

minha tática é
falar-te
e escutar-te
construir com palavras
uma ponte indestrutível

minha tática é
ficar em tua memória
não sei como nem sei
com que pretexto
porém ficar em ti

minha tática é
ser franco
e saber que tu és franca
e que não nos vendamos
simulacros
para que entre os dois
não existam véus
nem abismos

minha estratégia é
no entanto
mais profunda e mais
simples

minha estratégia é
que um dia qualquer
não sei como nem sei
com que pretexto
por fim me necessites.


Mario Benedetti em: “O Amor, as mulheres e a vida”

22 4 / 2014

Os sonhos, como se sabe, são uma coisa extraordinariamente estranha: um se apresenta com assombrosa nitidez, com minucioso acabamento de ourivesaria nos pormenores, e em outro, como que sem se dar conta de nada, você salta, por exemplo, por cima do espaço e do tempo. Os sonhos, ao que parece, move-os não a razão, mas o desejo, não a cabeça, mas o coração, e no entanto que coisas ardilosas produzia às vezes a minha razão em sonho!


Fiódor Dostoievski em: Sonho de Um Homem Ridículo

Os sonhos, como se sabe, são uma coisa extraordinariamente estranha: um se apresenta com assombrosa nitidez, com minucioso acabamento de ourivesaria nos pormenores, e em outro, como que sem se dar conta de nada, você salta, por exemplo, por cima do espaço e do tempo. Os sonhos, ao que parece, move-os não a razão, mas o desejo, não a cabeça, mas o coração, e no entanto que coisas ardilosas produzia às vezes a minha razão em sonho!


Fiódor Dostoievski em: Sonho de Um Homem Ridículo

22 4 / 2014

Ele analisava demais tudo, ela apenas vivia. Vivia e sentia sem essa intelectualidade que leva ao desespero quem a utiliza. E assim, sem ter nada a ver um com o outro, se encontraram, porque, por acaso, era para isso que andavam no mundo. 





Julio Cortázar em Rayela (O Jogo do Mundo)

Ele analisava demais tudo, ela apenas vivia. Vivia e sentia sem essa intelectualidade que leva ao desespero quem a utiliza. E assim, sem ter nada a ver um com o outro, se encontraram, porque, por acaso, era para isso que andavam no mundo.

Julio Cortázar em Rayela (O Jogo do Mundo)

22 4 / 2014

Dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo, como se conhecer-se a si mesmo não fosse a quinta e mais difícil operação das aritméticas humanas, dizemos aos abúlicos, Querer é poder, como se as realidades bestiais do mundo não se divertissem a inverter todos os dias a posição relativa dos verbos, dizemos aos indecisos, Começar pelo princípio, como se esse princípio fosse a ponta sempre visível de um fio mal enrolado que bastasse puxar e ir puxando até chegarmos à outra ponta, a do fim, e como se, entre a primeira e a segunda, tivéssemos tido nas mãos uma linha lisa e contínua em que não havia sido preciso desfazer nós nem desenredar emanharados, coisa impossível de acontecer na vida dos novelos, e, se uma outra frase de efeito é permitida, nos novelos da vida.
José Saramago em: “O Caderno”

Dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo, como se conhecer-se a si mesmo não fosse a quinta e mais difícil operação das aritméticas humanas, dizemos aos abúlicos, Querer é poder, como se as realidades bestiais do mundo não se divertissem a inverter todos os dias a posição relativa dos verbos, dizemos aos indecisos, Começar pelo princípio, como se esse princípio fosse a ponta sempre visível de um fio mal enrolado que bastasse puxar e ir puxando até chegarmos à outra ponta, a do fim, e como se, entre a primeira e a segunda, tivéssemos tido nas mãos uma linha lisa e contínua em que não havia sido preciso desfazer nós nem desenredar emanharados, coisa impossível de acontecer na vida dos novelos, e, se uma outra frase de efeito é permitida, nos novelos da vida.



José Saramago em: “O Caderno”

22 4 / 2014

(Fonte: eu-sem-poesia)

22 4 / 2014

22 4 / 2014

(via cuticula)

22 4 / 2014