25 7 / 2014

(Fonte: inevavel, via eu-sem-poesia)

25 7 / 2014

"É só com grande esforço que sustentamos uma posição no mundo. Que sustentamos um nome. Estamos, todos, confinados nas cavernas escuras do singular. Mesmo no mundo das cópias e das reproduções em série, a existência humana se desenrola na primeira pessoa. O plural é só um recurso a que nos apegamos para escapar da solidão."

José Castello, Prosa e Verso em 30/04/2011

24 7 / 2014

letrasinversoreverso:

Algumas obras indispensáveis para conhecer a literatura de Ariano Suassuna. 

1. “Uma mulher vestida de Sol” - a obra foi escrita para o Teatro do Estudante de Pernambuco, grupo ao qual se junta Ariano Suassuna pouco anos depois de chegar ao Recife. A peça marca sua estreia como dramaturgo e sua primeira tentativa de recriar o romanceiro popular nordestino. A obsessão pela forma perfeita o faria a reescrevê-la dez anos depois da primeira edição.

 2.”O santo e a porca” - trata-se de uma  comédia; foi escrita Ariano Suassuna em 1957 e amplia seu projeto na dramaturgia. O texto, segundo o próprio autor, é “uma imitação nordestina” da peça “Aulularia”, também conhecida como a “Comédia da Panela”, do escritor romano Plauto. A peça serviu de base para uma das tramas da microssérie e o filme “O Auto da Compadecida” e em 2000 foi adaptada para o especial Brava Gente da Rede Globo.

3. “A farsa da boa preguiça” - é uma peça teatral em três atos ainda na década de 1960. Foi encenada pela primeira vez pelo Teatro Popular do Nordeste, com direção de Hermilo Borba Filho, no ano seguinte. Aqui, o autor reaviva seu projeto literário cujo alcance mais alto já havia chegado com o sucesso obtido do Auto da Compadecida, em 1957. A peça aproxima elementos da cultura nordestina com a Florença e Roma medievais.

4. “Auto da compadecida” - escrita em 1955, encenada pela primeira vez em 1956 e premiada em 1957 com a medalha de ouro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, a peça é uma das mais conhecidas do grande público nacional. Por várias vezes, o próprio Ariano admitiu, mesmo considerando o filme obra independente, que o sucesso acumulado em torno da peça foi graças ao sucesso da sua adaptação. A peça foi microssérie na Rede Globo e depois tornada filme por Guel Arraes em 2000.

 5. “Romance da Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta” - O romance começou a ser escrito em 1958, mas só foi publicado em 1971. É inspirado em um episódio ocorrido no século XIX, no município sertanejo de São José do Belmonte, a 470Km do Recife, onde uma seita, em 1836, tentou fazer ressurgir o rei Dom Sebastião – o mesmo da cultura portuguesa. A força para obra, admitiu Suassuna veio da morte do pai, quando tinha apenas três anos de idade, tragédia pessoal presente na literatura de Suassuna, e a redenção do seu “rei”.

 6. “História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão — Ao Sol da Onça Caetana” - a obra é a primeira parte do segundo volume da trilogia iniciada com “A pedra do reino”. 

24 7 / 2014


João Ubaldo Ribeiro; A Casa dos Budas Ditosos

João Ubaldo Ribeiro; A Casa dos Budas Ditosos

(Fonte: eu-sem-poesia, via eu-sem-poesia)

24 7 / 2014

eu-sem-poesia:

Bernardo Soares / Fernando Pessoa; in Livro do Desassossego

eu-sem-poesia:

Bernardo Soares / Fernando Pessoa; in Livro do Desassossego

24 7 / 2014

(Fonte: eu-sem-poesia)

24 7 / 2014


A Insustentável Leveza do Ser. Milan Kundera (via Bruna Cosenza)

A Insustentável Leveza do Ser. Milan Kundera
(via Bruna Cosenza)

(Fonte: grifeinumlivro, via eu-sem-poesia)

24 7 / 2014

eu-sem-poesia:

Charles Bukowski, in Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém

eu-sem-poesia:

Charles Bukowski, in Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém

24 7 / 2014

tri-ciclo:

Carta ilustrada para Mário de AndradeCícero Dias Guache s/ papel, 1930

tri-ciclo:


Carta ilustrada para Mário de Andrade

Cícero Dias 
Guache s/ papel, 1930

(via taiguar)

24 7 / 2014

João! João! Morreu! Ai meu Deus, morreu pobre de João Grilo! Tão amarelo, tão safado e morrer assim! Que é que eu faço no mundo sem João? João! João! Não tem mais jeito, João Grilo morreu. Acabou-se o Grilo mais inteligente do mundo. Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre. Que posso fazer agora? Somente seu enterro e rezar por sua alma.


(Chicó lamenta a perda do amigo João Grilo, O Auto da Compadecida)

Obrigada Ariano Suassuna!

João! João! Morreu! Ai meu Deus, morreu pobre de João Grilo! Tão amarelo, tão safado e morrer assim! Que é que eu faço no mundo sem João? João! João! Não tem mais jeito, João Grilo morreu. Acabou-se o Grilo mais inteligente do mundo. Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre. Que posso fazer agora? Somente seu enterro e rezar por sua alma.


(Chicó lamenta a perda do amigo João Grilo, O Auto da Compadecida)

Obrigada Ariano Suassuna!

21 7 / 2014

"

Nasci no dia 15 de setembro de 1933. Faça as contas para saber quantos anos não tenho. Que “não tenho”, sim; porque o número que você vai encontrar se refere aos anos que não tenho mais, para sempre perdidos no passado. Os que ainda tenho, não sei, ninguém sabe. Nasci no sul de Minas, em Boa Esperança que, naquele tempo, se chamava Dores da Boa Esperança. Depois tiraram o “Dores”. Pena, porque dores de boa esperança são dores de parto: há dores que anunciam o futuro. Boa Esperança é conhecida mais pela serra que o Lamartine Babo, ferido por um amor impossível, transformou em canção: “Serra da Boa Esperança”.

Meu pai era rico, quebrou, ficou pobre. Tivemos de nos mudar. Dos tempos de pobreza só tenho memórias de felicidade. Albert Camus dizia que, para ele, a pobreza (não a miserabilidade) era o ideal de vida. Pobre, foi feliz. Conheceu a infelicidade quando entrou para o Liceu e começou a fazer comparações. A comparação é o início da inveja que faz tudo apodrecer. Aconteceu o mesmo comigo. Conheci o sofrimento quando melhoramos de vida e nos mudamos para o Rio de Janeiro. Meu pai, com boas intenções, me matriculou num dos colégios mais famosos do Rio. Foi então que me descobri caipira. Meus colegas cariocas não perdoaram meu sotaque mineiro e me fizeram motivo de chacota. Grande solidão, sem amigos. Encontrei acolhimento na religião. Religião é um bom refúgio para os marginalizados. Admirei Albert Schweitzer, teólogo protestante, organista, médico, prêmio Nobel da Paz. Quis seguir o seu caminho.

Tentei ser pianista. Fracassei. Sobrava-me disciplina e vontade. Faltava-me talento. Há um salmo que diz: “Inútil te será levantar de madrugada e trabalhar o dia todo porque Deus, àqueles a quem ama, ele dá enquanto estão dormindo.” Deus não me deu talento. Deu todo para o Nelson Freire, que também nasceu em Boa Esperança. Estudei teologia. Fui pastor no interior de Minas. Convivi com gente simples e pobre. Lá um pastor é uma espécie de “despachante” para resolver todos os problemas. Mas já naquele tempo minhas idéias eram diferentes. Eu achava que religião não era para garantir o céu, depois da morte, mas para tornar esse mundo melhor, enquanto estamos vivos. Claro que minhas idéias foram recebidas com desconfiança… Em 1959 me casei e vieram os filhos Sérgio (XII.59) e Marcos (VII.62). Em 1975 nasceu minha filha Raquel. Inventando estórias para ela descobri que eu podia escrever estórias para crianças.Fui estudar em New York (1963), voltei um mês depois do golpe militar. Fui denunciado pelas autoridades da Igreja Presbiteriana, à qual pertencia, como subversivo. Experimentei o medo e fiquei conhecendo melhor o espírito dos ministros de Deus… Minha família e eu tivemos de sair do Brasil. Fui estudar em Princeton, USA, onde escrevi minha tese de doutoramento, Towards a Theology of Liberation, publicada em 1969 pela editora católica Corpus Books com o título A Theology of Human Hope. Era um dos primeiros brotos daquilo que posteriormente recebeu o nome de Teologia da Libertação. O tempo passou, mudou meu jeito de pensar, voltei ao Brasil em 1968, demiti-me da Igreja Presbiteriana. Com um Ph.D. debaixo do braço e sem emprego. Foi o economista Paulo Singer, que fiquei conhecendo numa venda de móveis usados em Princeton, que me abriu a porta do ensino superior, indicando-me para uma vaga para professor de filosofia na FAFI de Rio Claro, SP. Em 1974 transferi-me para a UNICAMP, onde fiquei até me aposentar.

Golpes duros na vida me fizeram descobrir a literatura e a poesia. Ciência dá saberes à cabeça e poderes para o corpo. Literatura e poesia dão pão para corpo e alegria para a alma. Ciência é fogo e panela: coisas indispensáveis na cozinha. Mas poesia é o frango com quiabo, deleite para quem gosta… Quando jovem, Albert Camus disse que sonhava com um dia em que escreveria simplesmente o que lhe desse na cabeça. Estou tentando me aperfeiçoar nessa arte, embora ainda me sinta amarrado por antigas mortalhas acadêmicas. Sinto-me como Nietzsche, que dizia haver abandonado todas as ilusões de verdade. Ele nada mais era que um palhaço e um poeta. O primeiro nos salva pelo riso. O segundo pela beleza.

Com a literatura e a poesia comecei a realizar meu sonho fracassado de ser músico: comecei a fazer música com palavras. Leituras de prazer especial: Nietzsche, T. S. Eliot, Kierkegaard, Camus, Lutero, Agostinho, Angelus Silésius, Guimarães Rosa, Saramago, Tao Te Ching, o livro de Eclesiastes, Bachelard, Octávio Paz, Borges, Barthes, Michael Ende, Fernando Pessoa, Adélia Prado, Manoel de Barros. Pintura: Bosch, Brueghel, Grünnenwald, Monet, Dali, Larsson. Música: canto gregoriano, Bach, Beethoven, Brahms, Chopin, César Franck, Keith Jarret, Milton, Chico, Tom Jobim. 
Sou psicanalista, embora heterodoxo. Minha heterodoxia está no fato de que acredito que no mais profundo do inconsciente mora a beleza. Com o que concordam Sócrates, Nietzsche e Fernando Pessoa. Exerço a arte com prazer. Minhas conversas com meus pacientes são a maior fonte de inspiração que tenho para minhas crônicas.

Já tive medo de morrer. Não tenho mais. Tenho tristeza. A vida é muito boa. Mas a Morte é minha companheira. Sempre conversamos e aprendo com ela. Quem não se torna sábio ouvindo o que a Morte tem a dizer está condenado a ser tolo a vida inteira.

"

Tunel do tempo e o Carpe Diem de Rubem Alves

21 7 / 2014

(Fonte: paznativa, via duas-de-cinco)

21 7 / 2014


Bela Lugosi as Dracula (1931)

Bela Lugosi as Dracula (1931)

(Fonte: vintagegal, via vintagegal)

20 7 / 2014

20 7 / 2014

viajante-clandestino:

A imaginação é o lugar onde as coisas que não existem, existem. Este é o mistério da alma humana: somos ajudados pelo que não existe. Quando temos esperança, o futuro se apossa dos nossos corpos. E dançamos…

Rubem Alves

viajante-clandestino:

A imaginação é o lugar onde as coisas que não existem, existem. Este é o mistério da alma humana: somos ajudados pelo que não existe. Quando temos esperança, o futuro se apossa dos nossos corpos. E dançamos…


Rubem Alves